Comentário do Evangelho do Domingo de Páscoa 2024 ✝️

Reflexão sobre Jo 15,1-8, onde Jesus é a videira e nós, os ramos, na celebração do V Domingo de Páscoa 2024.

Comentário do Evangelho do Domingo de Páscoa 2024 ✝️
Ezio Lorenzo Bono
39 views • Apr 24, 2024
Comentário do Evangelho do Domingo de Páscoa 2024 ✝️

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COMO EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (PT) Comentário ao Evangelho do Domingo 28-4-2024 V Domingo de Páscoa B
Jo 15,1-8 (Eu sou a videira e vós sois os ramos)

* Imagem de fundo: Edward Mãos-de-Tesoura
* Música de fundo: Ice Dance - Tim Burton's Edward Scissorhands [HD Piano Cover].


TEXTO DO VÍDEO
I.
Há quarenta anos, quando eu tinha vinte e poucos anos, foi lançada a última das obras-primas dos Pink Floyd, "The Final Cut". Estávamos em 1983 e essa era a minha banda preferida, eu tinha todos os seus discos e era certamente uma das maiores bandas da história do rock. Não era claro o que eles queriam dizer com esse "Final Cut", talvez o fim da banda (embora mais música deles tenha sido lançada mais tarde) ou, mais provavelmente, a decisão do protagonista da canção que, em sofrimento e desespero, pensa em suicidar-se para pôr fim ao sofrimento. No momento em que está prestes a suicidar-se, chega um telefonema (cujo conteúdo não é revelado) que muda tudo e ele desiste de dar o "corte final" à sua vida. Roger Waters, que é o verdadeiro autor do álbum (embora interpretado pelos Pink Floyd), parece querer comunicar que, quando tudo parece ter acabado e nos sentimos esmagados pela dor, acontece algo inesperado que muda a vida.
Quarenta anos antes, na década de 1940, um novo artista tinha surgido na ribalta do mundo da arte contemporânea com uma inovação original com a qual desafiou as convenções artísticas da época e estimulou uma nova perceção tridimensional do espaço e da matéria com as suas telas. Trata-se do italo-argentino Lucio Fontana, com os seus famosos cortes em telas com os quais pretendia quebrar a superfície tradicional e explorar o espaço e o vazio, fundando assim o movimento artístico conhecido como "Espacialismo", que propunha uma nova concepção do espaço na arte. Com os seus cortes feitos com um simples cortador de caixas, pretendia explorar as dimensões físicas e metafísicas do espaço, convidando o espetador a refletir sobre a sua relação com o universo que o rodeia. Deste modo, rompeu com a forma tradicional de conceber a arte. O próprio Fontana falou da sua arte como uma inovação radical e como uma tentativa de levar a arte contemporânea a novos horizontes expressivos e conceptuais. Muitos troçaram imediatamente dele pelas suas telas cortadas (quem sabe quantos pensaram: também sou capaz de cortar uma tela com um alfinete) e, no entanto, ainda recentemente, num leilão, as suas "telas cortadas" foram vendidas por milhões de euros.
II.
O Evangelho de hoje também nos fala de cortes, quando Jesus nos diz: "Meu Pai é o agricultor. Ele corta todos os ramos que em mim não dão fruto e poda todos os que dão fruto, para que dêem mais fruto". Os cortes do Pai agricultor não são cortes para acabar com algo, mas para recomeçar, são cortes "terapêuticos", isto é, cortes necessários para restaurar a vida, para produzir melhores frutos.
[...]
III.
Em conclusão.
Como vimos, há cortes e cortes: há cortes bons que dão vida, como cortar as relações tóxicas, os hábitos nocivos (vícios), o stress, as coisas inúteis, um passado que já não faz falta, cortar as traições, a infidelidade às pessoas que nos amam, cortar as vidas duplas. São cortes bons, embora possam doer no início, como os cortes de um cirurgião ou de um jardineiro. E depois há os cortes maus, que matam, cortam, ou melhor, tiram a vida, como o corte de gargantas ou de veias, ou os cortes autodestrutivos e autoagressivos, ou os cortes daqueles que se isolam do mundo e da relação com os outros (como os jovens hikikomori ou pessoas que se isolam), os cortes daqueles que isolam os outros da sua vida.
Os cortes de que nos fala hoje o Evangelho são cortes bons, cortes terapêuticos que só podem melhorar a nossa vida. Tenhamos a coragem de identificar tudo o que precisamos de cortar e depois decidamos (ou seja, cortemos) de uma vez por todas.
Talvez os nossos cortes não valham milhões como os de Lucio Fontana, nem como os “final cut” dos Pink Floyd, que venderam mais de 250 milhões de discos na sua carreira, mas podemos fazer como Edward Mãos-de-Tesoura, que conseguiu fazer verdadeiras obras-primas com os seus cortes. Cortando o que precisa de ser eliminado e podando o que precisa de ser animado, também nós podemos fazer da nossa vida uma obra de arte. Não somos responsáveis pelo incipit do romance da nossa vida, somos, no entanto, responsáveis pelo seu enredo e pelo seu final.
____
Os vídeos (em italiano, português e inglês) dos meus comentários ao Evangelho do Domingo podem ser encontrados na minha Página Facebook, no meu canal Youtube ou no meu canal Whatsapp. Os Textos dos comentários traduzidos para inglês e português podem ser encontrados no meu WebPage.

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9:56

Published

Apr 24, 2024

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